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Como uma fã exagerada do ATL expôs os perigos das redes sociais

No início dessa semana a Alternative Press postou um artigo muito interessante sobre os fãs que fazem loucuras – muitas vezes extremamente exageradas – por seus ídolos, em seu site tendo como tema principal uma fã do All Time Low que conheceu Alex indo até sua própria casa e esperando horas até o cantor aparecer.
A culpa dessas perseguições é de quem? dos fãs ou das bandas que acabam deixando em redes sociais suas localizações?
Confira a tradução completa abaixo.

Nada pessoal – como uma fã exagerada do All Time Low expôs os perigos das redes sociais

Procure entre qualquer uma das milhares de entrevistas que a AP fez durante décadas e você vai achar um ponto em comum: É tudo sobre os fãs. Bandas estão orgulhosas de sua proximidade com os fãs; seus encontros com eles depois dos shows na mesa de vendagem dos produtos ou fora do clube. É fato que a idéia de não ter barreiras entre a banda e os fãs é um dos principais seguimentos de uma banda hardcore ou punk, uma idéia que tem se manifestado em casa de shows indies há anos onde bandas tem literalmente evitado o palco, optando por um nível maior tocando em lugares abertos.
Nos últimos anos, a predominância de sites de redes sociais como twitter e facebook tem aumentado essa solida equação balanceada na relação fã e artista. Voltando no tempo, antes da internet, não havia maneira de saber o que sua banda favorita estava fazendo no exato momento em todas as horas do dia. Agora está apenas a um tweet de distância.

Prolongando o período de espera para interação banda/fã e a escassez geral de informações saindo sobre músicos geraria uma certa distância respeitosa para a banda, não importando o quanto popular eles fossem em seus comportamentos e políticas de show. Claro que os fã continuariam indo a loucura nos shows e muitos deles iriam esperar depois de tudo para conhecer seus heróis ou até ir mais longe e entrar no backstage. Mas na era da internet, esse modelo de base de fãs parece muito incomum. Em tempos que você literalmente rastreia os movimentos que sua banda faz enquanto percorre o país, aterrissa em aeroportos, pega um taxi, para um pouco para comer e depois vai para casa, a idéia de base de fãs – ou fanatismo – finalmente encontrou sua tempestade perfeita.

Culpe as bandas, também. Uma maneira garantida para ter certeza que ninguém esta te seguindo é não lançar suas localizações. Mas as redes sócias continuam inspirando isso apenas porque ter essa informação, implica na licença de agir com isso. Isso é algo que as pessoas sempre souberam. Redes socias quebraram a distância respeitada. Fãs começam a ver os artistas como seus amigos. Veja, há as atualizações do twitter do vocalista do All Time Low, Alex Gaskarth, entre sua irmã e uma amiga. Uma não pode evitar a não ser começar uma potencial continuação social de interações.

Stuart Ischoff, um professor de psicologia na Universidade Estadual da Califórnia, Los Angeles, que tem estudado a psicologia de obsessão de fãs, diz que as redes sociais tem destruído essa fronteira e deixou mais facil para os fãs que podem já ser propicios para expressar suas obsessões de forma inapropriada. Mas, ele conclui, é preciso de dois para danças tango. “Celebridades então usando fãs e fãs usando celebridades,” ele diz. Artistas veem isso como uma maneira de aumentar suas vendas, ou para ter mais pessoas em seus shows. O Twitter, em particular, confunde significados. “Com o twitter, é como se fosse uma relação um-a-um,” ele diz. “Você pode personalizar isso: ‘Ele ou Ela esta me twittando.’ Tudo isso leva as pessoas que tem um pequeno problema em segurar isso em primeiro lugar. Tudo isso pode encher a pessoa de orgulho, paixões e as pessoas que querem levar isso ao outro nivel fazem maiores esforços para conseguir isso. As pessoas que voam atraves do país para estar na casa de alguém representa o maior problema em potencial.

É parecido com o que uma fã de All Time Low fez semana passada, pegando a idéia de base de fãs e levando ao extremo de perseguir quando ela conseguiu o endereço do cantor Gaskarth, usou o twitter para prever a sua chegada, e depois esperou com seus amigos na entrada até que ele chegasse. A parte mais problemática? Ela documentou a história inteira na Internet com fotos. Seguir o desenvolvimento através do facebook e tumblr de outras pessoas é fácil porque se tornou um ponto de destaque na Internet. “Eu consegui o endereço do Alex Gaskarth. Sério. Eu me sinto como uma ótima perseguidora. ;) quem quer vir sentar fora da casa dele comigo?” estava no primeiro post. E só piorou a partir daí.

SUA VACA! VOCÊ FEZ ISSO SEM MIM,” uma amiga responde. “Oh, nós super estamos seguindo ele. MINHA IDEIA! hahaa :] nós podemos ser presas juntas.

Talvez seja apenas um ato de uma fã inocente, certo? É o tipo de coisa que crianças falam o tempo todo quando estão falando sobre eles mesmos e seus bandas favoritas. Mas quando você considera o resto das respostas de seus amigos, e o fato que eles fizeram tudo isso mesmo, começa a parecer muito mais problemático.

Ah meu deus, nós poderíamos falar para os policiais que ele nos estuprou e depois nós poderíamos andar no mesmo carro de policia que ele! EU SOU UMA GÊNIA.

O que segue uma maneira de estilo de Internet do novo milênio em loucura, o que seria muito legal se não fosse tão estranho. Felizmente, a historia dessa garota foi condenada por vários de outros fãs. Dúzias de outros sites re-postaram isso, e a reação geral foi de choque e desaprovamento. Keaton Kustler, uma garota de 17 anos de Nova York é uma desses bloggers que achou isso anormal. “Eu acho que sim, e totalmente fora dos limites, quase no ponto de absurdo,” ela diz. “Mas ao mesmo tempo, eu não estou totalmente surpresa com isso. A cena da música pop punk se tornou muito conhecida nos últimos anos, apagando a linha entre a fama e a normalidade. Bandas que eu ia ver em lugares completamente vazios, com lugares com capacidade para 50 pessoas no ano passado, agora estão por toda MTV, indo em turnês mundiais, e tocando para grandes públicos. Eu acho que por causa desse fenômeno, se é que você quer chamar assim, os fãs acham que tipo do encontro inicial com esses músicas em situações um pouco mais íntimas, eles estão disponíveis para construir amizades com eles, o que não é necessariamente o caso. Depois de 6 meses na estrada, as bandas estão lotando o Hammerstein Ballroom, todos os fãs tem seguido eles por um tempo x acreditam que eles tem alguma relação mais pessoal com eles, os caras são só ‘caras normais’, e ‘as melhores pessoas do mundo’ e ‘totalmente me amam porque Jack se lembrou de mim!’

E é isso, eles são só caras e meninas normais. Eles são apenas caras e meninas que cantam e tocam bem. Eles tem que manter um estilo de vida normal o maior tempo possível para manter uma aparência de normalidade na estrada. “Quando você atravessa a linha de grande fã para um outro nível, dificulta as coisas para as bandas,” diz Justin Aufdemkampe da banda MISS I MAY e da Rise Records. “Acho que a linha entre ser uma fã e uma perseguidora é perceber que as pessoas da banda em turnê ou sua banda favorita também são pessoas. Nós ainda temos vidas normais e às vezes as pessoas levam isso muito longe e tentam ser parte da nossa vida pessoal. Eu tive alguns encontros com jovens abrindo portas de vans quando você esta dormindo tentando pegar um autografo ou garotas falando que o conhece por outras pessoas quando elas nunca viram você ou falaram com você antes,” ele diz. “Eu acho que às vezes os músicos precisam entender que a vida que eles levam irá atrair pessoas assim, então você deveria estar preparado para isso às vezes, mas isso pode ficar meio difícil em algumas situações.

Por exemplo quando você aparece na casa de uma banda sem ser anunciada e se esconde no escuro esperando ele chegar?

Então nós achamos o endereço dele de novo, e fomos até a casa dele. Todos os tweets deles e coisas assim disseram que ele voltava para casa hoje, mas não falavam quando. Então nós fomos para a casa dele, as luzes estavam ligadas, mas ninguém atendia a porta. Mas, eu tirei varias fotos de Payton e Sabastion (os cachorros deles). Então, perseguidoras como nós somos, esperamos fora da casa dele por uma hora e ninguém tinha chegado.

Gaskarth, que não deu um comentário para essa história, levou esse acontecimento com calma, até posando para fotos com as fãs infringindo seu espaço pessoal. Mais tarde, depois do acontecimento acabar ele foi ao seu twitter, (claro) compartilhar sua perturbação. “volto logo, construindo uma parede de castelo e um lago em volta da minha casa. Arqueiros vãoatirar flechas com fogo em qualquer um que não souber a senha” e “Extremamente assustado com o que aconteceu esta noite. Quem espera fora da casa de alguém por três horas com as suas luzes apagadas? Não é legal.

Em termos psicológicos, esse tipo de comportamento é conhecido como uma interação parasocial. É uma relação em que uma pessoa sabe muito sobre uma situação e a outra não. Bandas de rock e fãs são o exemplo perfeito. Existe um enorme espectro em como essa interação funciona, diz Fischoff. “Você tem varias pessoas que querem se aproximar, talvez machuque alguém, dependendo do quão complexo foi a reação emocional que a celebridade teve. Você tem pessoas que são desiludidas e eles acham que tem que matar alguém como John Lennon, ou você tem pessoas que simplesmente querem casar com eles, ou ser seus amantes.

Mas porque? As celebridades tem varias funções para as pessoas. “Dependendo do quão estável a personalidade é, essas funções podem se tornar complementadoras,” ele diz ,“ou obsessivas e levadas a perseguição.” Tudo depende da instabilidade do fã. “Existe a habilidade de reconhecermos quem somos, o que nos compõe, e quem são as outras pessoas, e reconhecer que você ter que dar a eles a zona de separação deles,” diz Fischoff. “Algumas pessoas não podem fazer isso, eles estão sempre indo para eles, colocando suas mãos na comida dos outros, tocando pessoas. Essas pessoas tem dificuldades de fronteiras. É isso que vemos fisicamente, mas psicologicamente isso também pode ser alguma coisa onde a pessoa não reconhece que a celebridade deveria ter uma vida separada da de adoração de fã dessa celebridade.

Uma razão para que esse tipo de interação foi levado a outra estagio na era da Internet é porque a mídia social colocou a balança de informações em um nível de menor importância. Uma pequena fã de musica como Kustler diz que as bandas encorajam esse tipo de coisa para uma extensão. “Em termos de redes sociais, coisas como essa já aconteceram, mas iniciadas pela banda,” ela diz. “Você lembra quando Britney Spears tinha [fãs] “encontre Britney em NYC” baseado em charadas no twitter? O que aconteceu com Alex e essa fã perseguidora é a mesma coisa: [a fã] colocou as charadas juntas de onde ele mora e de quando ele estaria lá. As barreiras que as mídias sociais quebraram ajudaram os artistas a desenvolver melhor, mais bases de fãs fieis já que isso permite que os fãs interajam e se comuniquem com seus artistas favoritos, mas eu acho que esses artistas esqueceram as repercussões. Se eu acho que isso acontece com freqüência? Não, mas se as bandas ou alguém realmente não querem que todos os seus amigos do facebook e seguidores do twitter saibam de todos os seus movimentos, eles tem que ser mais seletivos com o que dividir com o mundo.

Paul Banwatt da dupla eletrônica/indie Woodhands diz que eles tem mantido todas as maneiras esquisitas de interação com fãs. Uma garota conseguiu o email, facebook e telefone de seu parceiro Dan Werb, e começou a mandar mensagens no meio da noite. “Às vezes chegava ao ponto de que quando nós íamos a cidade que ela mora, ela aparecia no show e dizia coisas loucas a Dan, a ultima foi ‘Meu pai disse que nós deveríamos nos casar e ele esta morto há dois anos.’”

Mas a cada acontecimento assustador ou irritante, tem varias interações positivas que saem das mídias sociais também. Depois de um show que Banwatt achou que foi péssimo, uma fã enviou uma mensagem no facebook dele que o animou. “Antes do facebook, eu não sei como alguém me mandaria aquela mensagem. Eu acredito que tenha uma linha limite, mas pode ser bem legal também. Existem tantas vantagens nesse tipo de coisa . É incrível. Eu não trocaria isso”.

Em algumas maneiras, é bom,” diz Krista Loewen da dance-punk You Say Party! We Say Die! “Eu me lembro de ser adolescente e eu e uma amiga mandamos email para nossa banda favorita, e quando nós conseguimos uma resposta, foi ótimo! É claro que foi antes do facebook ou myspace ou qualquer coisa. Mas ter uma interação pessoal com uma banda pode ser super importante para uma fã, e isso significa alguma coisa para a banda também. [Mas] você esta aberto para muito mais atenção negativa. A Internet é tão instantânea e acessível, não é o mesmo de quando você teria que escrever uma carta.

Essa acessibilidade levanta alguma das responsabilidades que as bandas tem que ter para guardar o que eles querem compartilhar. “Se você esta colocando você como uma pessoa procurando atenção publica, é parte da nova realidade onde você tem que ser um pouco mais reservado para evitar que pessoas te sigam,” diz Banwatt. Ele diz que percebeu em um ponto que ele tinha seu telefone e informações pessoais no facebook ao mesmo tempo que eles estava adicionando centenas de ‘amigos’ que ele não estava certo de que conhecia. Ele logo limpou sua conta. Banwatt também mandou emails para as bandas que era fã para dizer que ele gostava do que faziam. Mas, ele diz, “ninguém acha que o que eles estão fazendo é estranho.”Até que isso fica muito estranho, como no caso da perseguidora de Gaskarth. Quando uma fã, achando que isso iria ser significante, mudando a vida encontrando um herói, acabou deixando ele assustado.

Tradução: Marcela Avanzi (ATL:BR)

1 comentário em “Como uma fã exagerada do ATL expôs os perigos das redes sociais”

  1. Eu vi o tumblr dessa garota semana passada; ela é louca .____.

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